AS VOZES

 

(...) Não consigo perceber donde vêm nem porque me chamam. No entanto, sei perfeitamente que ecoam no meu cérebro e em toda a casa. São tão intensas que, não raras vezes, penso raiar a loucura.

A cabeça procura, em vão, um pouco de espaço por minúsculo que seja para descansar. Contudo, só na rua me deixam. É como se de algo muito íntimo, muito meu, se tratasse. Insânia.

Basta que esteja só para que elas voltem à carga&hellipouço claramente o meu nome sussurrado, muito lentamente e à laia de cantilena, por várias vozes mais ou menos graves que se atrapalham com o ensejo de fazer-se ouvir. (...)