amores são coisa boa.
coisa nossa, coisa que ninguém destrua...
amores vieram antes e depois, são mães, pais,
filhos, são netos, são avós...
e amores são tanto que nos tiram tudo e em nada, felizes, nos ficamos,
amores que sempre dão, enquanto duram,
amores a quem a alma damos e nos curam.
e são assim amores no plural que só um nos pode causar dano.
amores que vão, amores que vindos,
amores que nos ficam, mesmo findos...
e eu amo tanto que me dói a falta
que- antes de se irem- já me fazem:
assim me foi quando adeus me disse a mãe,
assim me foi quando se partiu meu pai.
entre os dois outros me traíram,
no dia em que de seu ombro a falta me ficava...
amigos novos e velhos me iludiram,
dizendo alto que ali não me falhavam.
amores eu sei que tenho muitos.
os de hoje e os de ontem e os de sempre...
amores tenho escondidos na cabeça
e que sempre me descem sobre o peito.
amores de cama e amores de berço eu tenho,
tivesse eu tido mais e mais me seriam
na memória que guardo todo o dia,
não acima do colo, não. mas onde a vida pula
e a veia me traz histórias de vida, vivida,
de amores. de amores. de vida que pulula.